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Soldadinho de Chumbo


Atendendo a pedidos seguem algumas ideias de trabalho unindo Literatura e Artes Plásticas.
Já muito se disse de quanto a escola tem representado, para a maioria das crianças, a única oportunidade de contato com obras literárias, uma vez que a história de leitura deles, dos alunos, revela, quando muito, opção por outros textos que não os literários.
E aqui pode se ratificar uma função que não é exclusiva, mas que é especifica da escola, qual seja a de dar oportunidade às crianças de estabelecer relação íntima e prazerosa com o mundo das produções literárias.
Oportunizar essa convivência com os livros, esse desvendamento do mundo literário constitui um dos objetivos da escola. Daí porque se pensa ser a literatura um dos componentes importantes do currículo escolar.
Cabe a escola dar ao aluno a oportunidade de vivenciar formas de leitura diversificada, o conto tradicional Soldadinho de Chumbo pode render inúmeras atividades interessantes já que é pouco conhecido entre crianças e jovens dos dias de hoje.


Sugestões de Atividades:

  • Os arteterapeutas indicam sempre um relaxamento como atividade inicial. Assim sendo, em busca de proporcionar aos participantes uma perfeita integração com o ambiente e as atividades que serão propostas posteriormente à sua realização, sugerimos que seja proposta uma marcha militar para que os alunos possam sentir o "clima" de rigidez vivenciado pelo conto. Pode-se solicitar aos participantes que se movimentem ao som da música, como um soldado em um desfile militar, e vivenciando o peso e a rigidez da função de soldado, bem como do material de que é feito o personagem - o chumbo. Em seguida, pode-se utilizar uma sonata para que se sinta a leveza da bailarina, bem como do material do qual ela é feita - papel.
  • O professor deverá iniciar em seguida a contação da historia podendo aproveitar a musica, abaixando o volume de forma que se possa mantê-la apenas como fundo para sua voz.
  • A proposta é que de forma agradável, prazerosa e lúdica o livro seja apresentado às crianças. Sugerimos colocar os alunos em círculo criando um clima mais informal. Cada professor pode contar a história da forma em que achar mais interessante. Entretanto é importante ressaltar que antes da história em si deve-se mostrar o livro, observando e debatendo sobre suas características: capa, contracapa, ilustrações, tipo de letras, cores, encadernação, dedicatória, para onde será revertida a renda da venda do livro, etc.
  • Durante o conto é importante as manifestações das crianças, suas perguntas, seus comentários, sua participação mais ativa ou passiva deve sempre ser foco de observação.
  • Após ouvir a história, sugerir às crianças que desenhem com o lápis HB, numa meia folha de papel sulfite, o personagem que foi mais significativo para ela. Terminado o desenho utilize o papel para envolver a vela de sete dias, fixando-o na vela com fita crepe.
  • Contornar o desenho mediante furos feitos com uma caneta velha, de forma que se possa deixá-lo marcado na vela. Depois de concluído o contorno, retirar o papel sulfite da vela e iniciar uma escavação com uma faca sem ponta ou com outro objeto que possibilite escavar a cera, acompanhando a linha de furos que compõe o desenho na vela.
  • Apos a conclusão do trabalho, o aluno poderá pintar com tinta plástica a peça esculpida na cera.

É importante transmitir as seguintes orientações às crianças:

  • Manter o volume (espessura) da vela, para evitar a quebra
  • Vestir camisa velha ou avental ao usar a tinta plástica, pois esta adere às roupas, não sendo possível removê-la.
  • Na finalização do trabalho, cada participante deverá falar sobre os sentimentos e as sensações percebidos e vivenciados durante a atividade.
  • Com crianças muito pequenas pode-se usar argila ao invés da vela.

O uso de materiais sólidos, ou seja, tridimensionais, constitui um importante recurso a ser utilizado uma vez que ele facilita a manifestação de sentimentos internos. A vela é um material rígido, impenetrável, de difícil manuseio e escavação. Geralmente é oferecido por arteterapeutas para pessoas que apresentam resistência e inabilidade nas suas relações pessoais e que tenham dificuldades em mostrar sua fragilidade por meio da rigidez aparente.
Esculpir pode ter vários significados, como tirar e escavar algo de algum lugar, reproduzindo por meio de um volume a ideia, que pode ser concebida previamente por meio de um risco no papel ou simplesmente por meio da imagem mental.
Em latim, escultura deriva de escavar, cavar. No ato de tirar (o que deve ser eliminado), a pessoa extrai uma forma do interior de alguma matéria bruta. Esse gesto de extrair - de dentro de alguma coisa - aquilo que e um projeto pessoal interior, faz com que o individuo externalize sentimentos fortes, como os de paixão ou raiva, por exemplo.
A técnica de entalhe em vela proporciona essa tridimensionalidade das emoções, fazendo com que o individuo de aparência impenetrável e rígida traga a tona todos seus sentimentos endurecidos pelas circunstancias de sua vida.
Recomenda-se, apenas, cautela no manuseio do material, uma vez que, por sua dureza, o utensílio cortante possa por vezes escapar com facilidade pela impressão de força demasiada e causar algum ferimento.

Outras idéias:

  • Faça da leitura uma diversão: a criança gosta de expressar-se através de desenhos. Divida o texto do livro escolhido em começo, meio e fim. Conte-lhes uma parte da história e peça para reproduzirem-na através de desenhos, em folhas de sulfite ou num programa de computador. Depois eles irão escrever uma frase em cada desenho, expressando suas emoções do trecho lido.
  • Aproveitar as gravuras do livro e propor que os alunos façam suas próprias produções textuais. Adaptando ao nível e faixa-etária de cada turma. Em seguida, proponha fazerem a revisão da escrita, descobrindo palavras com erros ortográficos e de pontuação, indicando as correções apropriadas. Usar o dicionário para verificação da escrita das palavras, criando nos alunos o hábito de consultá-lo para esclarecer dúvidas.
  • Divida a turma em grupos e proponha que cada grupo escreva do seu próprio jeito o início, o meio e o final da história, podendo modificá-la ou não. Em um segundo momento junte as partes e forme um novo livro. Numere as páginas. Através da observação do livro original, peça-lhes para criarem uma capa original que pode ser do jeito que está apresentada no livro ou como eles gostariam que fosse. Pedir para escreverem o nome do livro, autor, série, ano e editora. Todos os livros poderão ser expostos.
  • Outra atividade interessante é misturar partes do livro e propor que os alunos as ordenem corretamente.
  • A clássica atividade de elaborar um outro final da história também agrada aos alunos.
  • Contar a história através de música e dança – O professor juntamente com os alunos pode resumir a história e dramatizar de forma original, usando aparelho de som com músicas variadas e criar coreografias com os alunos.
  • Pesquisar a biografia e conhecer outros contos de Hans Christian Andersen.

Links úteis:

- História em áudio:
http://www.4shared.com/file/17968418/25c5214d/

- História em vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=QN8v6g6N7Ac&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=x8bjQbSVYtU&feature=related

Bibliografia:

  • Contos de Fada – vivências e técnicas em arteterapia. Adriana Medeiros e Sônia Branco. Editora Wak.
  • Literatura Infantil: Gostosuras e Bobices. Fanny Abramovich. Editora Scipione.
  • A Importância do Ato de Ler. Paulo Freire. Cortez Editora.


    "Só desperta paixão de aprender quem tem paixão de ensinar."
    (Paulo Freire)

2 comentários:

  1. oi Paty. Que bom que gostou querida.Sempre visito seu blog e adoro.vou te seguir e linkar seu blog ao meu.Faça uma visita aos meus 2 blogs.http://cantinhoinfantiltialane.blogspot.com/
    http://pedagogiaearteblog.blogspot.com/

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  2. Eliane, me sinto honrada de ter sido "referência bibliográfica " em seu artigo t~eo bem escrito. Fica meu abraço e minha admiração. Bjs

    Sonia Branco

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